A Deus, à Poesia move-se entre o aforismo filosófico, a meditação em prosa e o diário de ideias. Organiza-o o problema do silêncio: de Deus, dos astros, do poeta e dos ecos surdos que respondem às invectivas do Homem.
Nas suas quatro secções, o livro traça um percurso que passa pela inquirição ao tempo, a Deus, à poesia e ao erotismo como formas de transcendência deslocadas para a imanência. Este conjunto de fragmentos habita o espaço entre o endereçamento e a despedida – entre falar a Deus sabendo que não há resposta e dizer adeus a uma poesia que não redime e não comparece quando é convocada.
O livro é negro, mas não pessimista: não espera alcançar a luz nem se conforma com as trevas. Nessa aporia, vive.
