terça-feira, 8 de Dezembro de 2009
Teargarden by Kaleidyscope #1 - A song for a son
sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Circus of Plunder
Circus of Plunder - música: Miguel Fernandes / letra: João Moita
versão rudimentar
We have more to give you
Think you need some rest
Oh hell, forget it
Our cages are unfamiliar
Our words unreliable
Take it down
We make sense with our delusions
If you can feel this / hey kid / then we’re real
But we can show you more
Behind the covers the bodies lay so cold
Inside the minds our hands are so divine
Clipping your wings / Our will is so suspicious
You can have it all as long as we can
Offer you more than you’ll ever take
Do you think you had enough?
We have more to give you
Think you need some rest
Oh hell, forget it
Our cages are unfamiliar
Our words unreliable
www.myspace.com/thedaughtersoflot
terça-feira, 1 de Dezembro de 2009
Masquerade
versão rudimentar
Unless we forget
Adrift among the wickedness
For whom we fell
We steal the beauty out of this
And what it suggests
We are living in the blame
Guess who we met
We are bashing on the bliss
And who we miss
We are building our own hell
For someone else
Welcome to our field of forces
No direction home
What hides behind our effrontery
We will never show
We hide the masks
We undress the cloaks
And yet
The shades won’t let us grow
And then you’ll know
The claws / The roar
As you approach
Disintegration bites on
Guess who we met
In this masquerade
We recognize your traces
When your heart is full of regrets
We are licking wounds
We invoke the needles
We are sinking further down
We are blaspheming
We are carrying the weight of despair
We fill the emptiness
Our lives are full of regrets
Let us forget
Adrift among the wickedness
Let us fall for you
We steal the beauty out of this
It’s in your eyes
We are living in the blame
Please take us home
domingo, 29 de Novembro de 2009
sábado, 28 de Novembro de 2009
quarta-feira, 25 de Novembro de 2009
segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
Diálogo do Isolamento
Pedro - Sobre a pedra me sentarei, com as chaves me selarei.
domingo, 22 de Novembro de 2009
Sobre a arte reaccionária ou de como as bolhas de ar rebentam sobre as próprias cabeças
Mario Perniola, A arte e a sua sombra, Assírio & Alvim, 2005.
domingo, 15 de Novembro de 2009
sábado, 7 de Novembro de 2009
Desiring Machines
versão rudimentar
Our minds are polluted
We make love fiercely
We caress violently
And worse
We will have to be tamed
Our hearts are unleashed
We react instinctively
We feed on ferocity
And worse
Our sight is narrow
Our pain is subtle
Wrapping on the wings of desire
Muzzles ghastly
Fearsome spook
And you’ll see us spread opaline magic
On your knees and meek and we’ll be polite
Put a leash on us for us to keep it all together
We believe in crudity / so let us use our stingers
This is what it’s supposed to be: a Hell
Listen kid we have a surprise
we’ve putted it in our pockets
You’ll have it tonight
It’s a shame we broke it down
It’s a shame we messed it up
On your knees and meek and we’ll be polite
Put a leash on us for us to keep it all together
We believe in crudity / so let us use our stingers
This is what it’s supposed to be: a Hell
www.myspace.com/thedaughtersoflot
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
As Filhas de Lot
O que nos excita é o que nos definha.
domingo, 1 de Novembro de 2009
Metamorphosis
versão rudimentar
Won’t bore or waste your time
For the moment we’re just fine
Our frailty hides behind your eyes
all that’s good and for your own sake
Act like if we aren’t here
We are smoothly disappearing
Now we want to let it go
Amused with our transparency
All that we do / all that we fake
We are daring our mistakes
All that we create / all that it destroys
Our fate is so undone
Watch us glow / as we go
Watch us glow / as we go
We’re machines outside the dreams
We’re vanishing / Watch us as we glow
(We’re) no human beings / we disbelieve
We’re fading / watch us as we glow
See us deserting
Forsaking / and that’s what makes us glow
www.myspace.com/thedaughtersoflot
sábado, 31 de Outubro de 2009
Corpo sacrificial
O que me comove neste quadro é o olhar suplicante do cordeiro. Nele se reflecte toda a tristeza do desapego. Ele vai morrer pela vez do Outro, para que o objecto amado, o Outro, não morra. Trata-se de uma solidão absoluta, sem remédio. Abraão ama Isaac e Deus ama Abraão. O cordeiro é tradicionalmente encarado como mero objecto que existe em função de uma acção na qual é mero pretexto, como conclusão necessária de uma prova cujo nexo se estabelece no interior de um processo volitivo independente da sua constituição. A fé é instaurada por um acto de deliberação, pela demonstração de uma intenção, por um salto disjuntivo da consciência. O sacrificado, o supliciado - o crucificado, em suma – está ausente desse processo, desta prova de amor incondicional, constituindo-se como elemento externo ao circuito. Ele existe como encadeamento final substitutivo. A sua identidade é irrelevante no quadro da sua função, na medida em que ele é um elemento exterior à necessidade da prova de amor, a sua existência é posterior e está subjugada a essa necessidade: o importante é que exista e realize, enquanto elemento operativo, a acção na qual não participa. É da ordem dos utensílios. Caravaggio ao pintar o olhar do cordeiro-instrumento de uma forma que inspira compaixão restitui-lhe a dignidade ao identificá-lo com um entidade desejante e por isso existencial: o cordeiro deseja ser amado para que se justifique o seu sacrifício. Édipo não é aqui alheio a este movimento. Mas ao ser enjeitado, se visto já enquanto identidade individualizada e consciente, o cordeiro-crucificado apropria-se um potencial de insubmissão e transgressão que não pode ser desprezado. Cristo-cordeiro, que se situa fora do sistema de desideratos dominante, da trídade deus-pai-filho, cria assim a oportunidade do eflúvio de uma contra-ordem, uma nova ordem que já não se revê na obediência ou desobediência a um Pai normativo, mas que tem o seu nexo na paixão do ser desapegado, o cordeiro, pelo seu próprio corpo sacrificial. Colocar esse corpo sacrificial ao serviço de uma sensibilidade exaltada que dele se apodere em delírios antropogáficos é, talvez, a derradeira experiência estética: comunhão unitária. Receber de uma vez o fluxo ininterrupto do que inaugura a passassem de um ao outro lado: a carne já não como depósito mas como transmissor da existência, eclodindo de si mesmo.
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
Incredulidade
Eu creio na força da carne se ela se rasga. Eu creio na demonstração e na atenção criadora que irrompe pelas entranhas até à indistinção do que lhe pertence e é já pertença de outro corpo que nunca existiu. Eu creio na mão que me guia, nas espirais que desenho para evitar o coágulo do lodaçal que amo, embora me infecte e me conduza à morte. Eu creio que é atrás da pele, sempre atrás da pele, que se inflama o que nunca nos é dado ver. Para recuperar intacto o objecto do nosso desejo façamos explodir a carne: amemos as contorções.
domingo, 25 de Outubro de 2009
sábado, 24 de Outubro de 2009
Narrativas
Continuando a enunciação para a morte, o desmembramento:
Como um antiquíssimo astro
o seu rosto pende crepuscularmente,
mostrando os sinais evidentes
da volúpia e da morosidade.
*
Um dia, ao passar por ali,
encontrei-o segurando nas mãos
o seu coração gelado.
*
Havia a monotonia dos dedos
contando as luas e os meses,
perdendo-se e recomeçando.
*
Calou-se.
Vi que era um anjo muito puro e lento,
o seu olhar era um horizonte escuro,
a neve derretia-se debaixo da sua respiração.
*
É uma voz de veias acutilantes.
*
Aproxima-se o tempo dos pentagramas.
Quero estar preparado para esse exercício
de violentas ciladas,
o céu sucumbindo ao espontâneo talento
dos gládios e do vento.
*
Assim rejuvenescem as flores, intensamente belas.
Assim crescem os filhos junto da enseada
e as labaredas do amor incendeiam as sepulturas
e as mitras das deusas claras.
*
És muito bela e o teu corpo dança
onde o horizonte é uma lâmina rasa.
Eu conheço o teu nome.
*
O céu é uma primavera transfigurada:
as flores em seus abismos.
*
As palavras estão sentadas em arcos de fogo;
pulsam,
avançam lentamente para um ubíquo silêncio.
O homem está de pé como se esperasse.
Se o poema o visitar,
ele desaloja as palavras
e senta-se calado,
ardendo.
*
Onde as foices declinam
eles são lentos com as mãos
sobre as arestas.
Inclinados ao fogo,
demoram-se onde a flâmula é um frémito
curando a seara devastada do seu coração.
*
Escrevo,
caminho para um profundo silêncio.
Essa eloquência.
*
dentro das pedras,
que também elas devêm
porque decantam a matéria.
*
Se um dia te encontrar,
devolverei ao silêncio a sua mais sórdida
cadência.
*
Não convocaria agora as suas navalhas.
*
Os deuses regressarão aos moinhos,
absortos nos seus desígnios.
Observarão as mós girar
como se a solidão nunca os visitasse.
*
Eu aqui estou.
Soergo-me e caio.
À entrada das cidades,
serei todos os pórticos em fogo.
*
a não me demorar sobre o fogo.
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
Não te demores sobre o fogo
E eu recebo-te:
abro lanhos na pedra que ofereces,
trabalho nela com os dentes,
insidiosamente.
*
No centro de tudo: um núcleo mineral,
e quando vens
o núcleo
estremece e esquece.
*
Os homens são assim.
Inventam uma luz para nela mergulhar
a sua escuridão.
*
Escrevo para incendiar a memória.
Acreditar que as mãos criam
a fragilidade do corpo,
que existem porque moldam
a intranquilidade da paisagem.
*
Virás por essa estrada.
Tocarás a brisa com os teus dedos
levemente apagados
como se dissessem:
Procura-me antes dos meus passos
porque depois deles já não estarei
e neles estou apenas de passagem.
Eis os instrumentos do teu labor.
Vou assim,
o coração sem timbales,
os pés feridos.
Chegou a hora do silêncio.
As palavras repousam agora nas margens,
são o sustento de uma ausência.
É por isso que vos peço,
dai-me o fogo tripartido do poema,
a sua fulguração.
Como se de chama em chama
a vossa face se tornasse mais habitável
para os sinos da manhã.
Como se ensinasses a juntar o silêncio,
peça a peça,
até se escutar essa argêntea fissura que perpassa
as palavras.
Talvez um poço
ou o voo circunscrito de uma toutinegra,
talvez as violáceas nas ramadas,
as túnicas bordadas pelas mulheres
junto às lareiras.
Resumem-se a isto os ciclos da fertilidade,
a estas quatro luas incendiadas.
Um cão corre pelas vinhas.
quarta-feira, 21 de Outubro de 2009
The thirsty daghters of Lot
versão rudimentar
Overcoming now / the endless sadness
Fear's dimming / cause we're together
We're relying on / your advices and
we're transcending / our resentment on
what has ceased to be / on the path we're on
We’re divining
And if you want us to stay with you
Just close your eyes and let us do
Always bending always haunting
Heart's so full of death resemblance
Sorry if we're letting it go
Medicine's so quick and low
Overcoming we're overcoming
Disposable kids with extreme manners
Overwhelming now / your dispositions
And your advices / we’re neglecting
It’s our transgressions / we rely on
What turns us on is / what makes us wither and
We are smothering / what we care the most and
We’re still divining
Somewhat we are as vicious
As the thirsty daughters of Lot
In our veins blood is infected by
The poison that causes us to forget
www.myspace.com/thedaughtersoflot
quinta-feira, 15 de Outubro de 2009
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
terça-feira, 13 de Outubro de 2009
Imagem e Poema
Francis Bacon, Figure with Meat, 1954.
Comunguei a carne da revelação
para ser o suporte de um método.
É essa uma tendência obsidiante:
na minha linhagem todos mataram.
Ainda respiro sobre a corola da sua purificação
e sei que cada lugar é o tempo todo.
É um comércio danado.
A ênfase está do lado das aporias.
A remissão é da ordem de um aviltamento.
E ainda que se levantem,
as corolas,
nada lhes ensina o corpo da abstracção.
João Moita
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Sadic Waltz
Sadic Waltz - música: Miguel Fernandes / letra: João Moita
versão rudimentar
Down we’ll take it
Strong we’ll hit it
whipping hurting / so you
Won’t have to
Cry for more and
More than this We’ll
Serve it on your back
And you’ll dance for us
over the night
And you’ll sacrifice the
lust we need to move on
And you’ll have it
just as you please
and nothing’s a sin
as long as we deceive the pain
Flesh we suck it
Blood we drip it
Bones we sharpen
loving slaying and you
are as doomed as
we are craving
watch we tickling
your deep deep
red scar and
facing our own death
And you’ll dance for us
over the knife
And you’ll sacrifice the
lust we need to hang on
And you’ll take it
just as you bear
and nothing’s a sin
as long as we deceive the pain
and we won’t be
what you want us to be
and you won’t know a thing
of our own crazy dreams
But you might let us see your nudity
We’ll serve it on your back
and on your front and
on your smile and on
your danger hided places
on your damaged brains
We have deceived the pain
domingo, 4 de Outubro de 2009
Algumas palavras a propósito da apresentação de O vento soprado como sangue, por Jorge Melícias
A poética de João Moita inscreve-se plenamente nesta máxima do filósofo checo Vilém Flusser, exposta de uma forma brilhante no seu livro Língua e Realidade. Para Flusser poesia é “o esforço do intelecto em acto de criar língua”. A poesia constitui-se assim como uma nova espécie de língua ou como a língua superada pelo intelecto. A actividade poética é, stricto sensu, produtiva, arrancando sempre algo às profundezas do indizível. E aqui Flusser propõe uma evidente clivagem entre o que é poesia e o que se inscreve na ordem do prosaico (de prorsus, plano), onde a realidade se limita a espalhar-se num plano. George Elliot dizia, a este respeito, que “a língua não passa de luz rompida sobre as profundezas do inarticulado”. Se a poesia se afirma como a produção de língua (produzir vem de producere, e significa trazer para a superfície), o poeta assume-se como “uma boca aberta em admiração”, o lugar onde a língua inspira o nada e o transforma em nova língua. Segundo o pensamento de Flusser a poesia é, funcionalmente, a criação de uma nova língua a partir do nada que cerca a língua por todos os lados. A sua filosofia (muito embebida na fenomenologia de Husserl) não é exactamente neo-nominalista, embora aí vá beber. Nessa medida as palavras são, para o autor de Le Monde Codifié, sempre “uma coisa no lugar de outra”, constituindo-se, todas elas (porque substituem, apontam, procuram) como metáforas. E se as palavras estão no lugar de outra coisa é porque essa coisa-em-si, kantianamente falando, não nos é acessível: se o fosse não precisaríamos de palavras. E o que é que as palavras substituem, apontam, procuram? A realidade (ainda que as palavras apenas nos sirvam para chegarmos perto dela) ou, tão só, o nada (aquilo que por estar para além da língua não é passível de ser nomeado).
Ao abordar toda esta problemática Flusser liga-a a um conceito tão caro quanto perigoso: o conceito de originalidade. Se a actividade normal da prosódia (e da conversação, onde a prosódia se inscreve) reside na composição de elementos já existentes, a novidade da poesia deverá residir na imposição de novas regras, de acordo com as quais os elementos serão doravante compostos, e na criação de novos elementos da língua. Vladimir Maiakovski tinha, já anteriormente, abordado esta questão sob um prisma similar ao afirmar: “Em geral as regras em poesia não existem. Chama-se poeta justamente ao homem que cria essas regras”. Assim, a actividade poética decompor-se-á, ainda segundo Flusser, numa dupla vertente, impondo, a um tempo, novas regras e novas palavras (conceitos). Os seus pensamentos (versos) são novos porque contêm elementos novos (conceitos novos) ou novas regras (uma nova gramática). A partir desta definição podemos facilmente chegar a uma compreensão mais nítida do conceito de liberdade que está na base de todo o processo poético. Através da criação de novas regras a liberdade de criação (a única liberdade inequívoca), longe de ficar reduzida, torna-se mais ampla. As novas regras possibilitam novas composições de elementos e ampliam o território da livre escolha. A linguagem não é serva das significações, diria Heidegger. Por conseguinte a actividade produtiva da poesia, impondo novos conceitos e novas regras sobre a língua, organiza-se como uma actividade criadora de liberdade. E os intelectos em conversação tornam-se, eles mesmos, progressivamente mais livres, à medida que absorvem as regras e os novos conceitos que lhes são veiculados pela poesia, num constante e imarcescível work in progress. O isolamento no qual o poeta se encontra (e do qual romanticamente se alimenta) é tão falso quanto a sua aparente perda de liberdade. Ele estabelece-se antes “como a ponta da cunha que a conversação” (ou seja vós, todos nós) “força para dentro do indizível”. Longe de estar isolado o poeta constitui-se, precisamente por ter tido a coragem de se recolher, como o condutor dessa conversação. Mas o perigo da exposição desse mesmo poeta ao influxo imediato do nada é constante e eminente. Enquanto que o perigo do intelecto em conversação é a caída na conversa fiada, o perigo do poeta radica numa queda mais abrupta e radical. Mas como Jean Luc Nancy no seu ensaio Resistance de la Poésie nos diz a poesia “faz na dificuldade”. Nessa perspectiva fala não de um acesso ao sentido mas de um acesso de sentido. Não se trata assim de procurar, a todo o custo, uma via de acesso ao sentido mas de admiti-lo como uma presença invasora e totalizante. Só assim a poesia de João Moita poderá ser, estou em crer, cabalmente lida.
Socorro-me agora de Ezra Pound e do seu conceito de logopéia. Logopéia, de acordo com o poeta dos Cantos, constitui-se como uma das três esferas poéticas. Refere-se às capacidades reflexivas da linguagem poética e remete-nos para a construção de idéias ou de sentidos. É o campo mais interessado no conteúdo e menos na imagem (fanopéia) ou na musicalidade (melopéia). Pound falava a este propósito da “dança do intelecto por entre as palavras”, com o intuito de fugir à lógica causal que a gramática nos impõe. Em O Vento Soprado como Sangue João Moita intenta (como poucos, direi, na actual produção poética) essas “linhas de fuga” à regra, de modo a alterar os mapas do senso-comum, não se esquecendo nunca desse incontornável axioma de que “a linguagem não é, ela representa”.
Outra das questões que me parece fundamental na poética de Moita é a questão da morte, mas da morte entendida sob uma perspectiva foucaultiana. Para o filósofo de O que é um autor? a escrita está ligada à morte, talvez essencialmente à morte dos outros. De certa maneira, todos falamos sobre o cadáver dos outros. Todos postulamos, até certo ponto, a morte do outro. Falando deles, vemo-nos na situação do anatomista que faz uma autópsia. Com a nossa escrita percorremos o corpo do outro, fazendo incisões, levantando os tegumentos e as peles, procurando trazer os órgãos à tona. Nessa perspectiva, e como nos lembra o filósofo francês “todo o nome é de antemão nome de morto, todo o nome anuncia a morte do seu portador, na medida em que lhe sobrevive, na medida, aliás, em que a própria estrutura do nome se define por essa capacidade de lhe sobreviver”. Também Maurice Blanchot concorre com o seu pensamento para o pensamento poético de João Moita. Como postula Blanchot, vida e morte atravessam-se, nesta obra de Moita, numa superfície que faz do autor “a testemunha integral” de uma experiência da escrita, da intensidade; na qual a consciência da morte faz do corpo uma engrenagem livre, entregue, à medida da sua própria duração, como “máquina de sensações”, escrita-corpo, no qual a morte desenha os contornos da sua permanência. Não nos podemos nunca é esquecer (como o poeta nunca o faz) que o acto de escrever é sempre uma permanência agónica contra a vida (do grego Agon – conflito). Estar vivo é estar a viver a morte e só há criação porque, em última análise, há destruição.
Voltamos então ao início: Se a língua cria a realidade e a poesia cria a língua, quem cria a poesia? João Moita soube ler, e dessa leitura tirar os justos ensinamentos, a máxima de Maiakovski, de que “a arte não é um espelho que reflecte a realidade, mas um martelo que a forja”, lutando, na feliz expressão de Graça Capinha, “contra o corpo da linguagem por uma linguagem que há-de, por força, ser outro corpo”.
quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
René Char

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
domingo, 27 de Setembro de 2009
Maria que vai com as outras
O Partido que apela à isenção do exercício da consciência crítica obteve o terceiro melhor resultado. É o país das marias que vão com as outras.*
*Atentar no slogan do cartaz.
sábado, 26 de Setembro de 2009
O vento soprado como sangue (música)
sexta-feira, 25 de Setembro de 2009
quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Diáspora, de José Rui Teixeira

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
terça-feira, 15 de Setembro de 2009
domingo, 13 de Setembro de 2009
Higher
versão rudimentar
It had done us so well
It’s keeping us from despair
Fear’s something that we’ve known
And darkness all that’s been shown
As we begin to ascend we become
So undone
I’m so high
I’m so high
I can touch the sky
I’m so high
I’m so high
I can touch the sky
I’m so high
I’m so high
I can reach your eyes
We present you gold
We transmute you steel
We pretend we’re here
As if we haven’t died
As if we didn’t lose
Our guts to survive
Our love to defend
So we become
So undone
I’m so high
I’m so high
I can touch the sky
I’m so high
I’m so high
I can touch the sky
I’m so high
I’m so high
I can ease your mind
The higher we hunt the deeper we crave
And damage is all that we save
We relate to the core
So let us cast our spell
We are going so well
We’ll begin to ascend / and we’ll become
So undone
I’m so high
I’m so high
I can touch the sky
I’m so high
I’m so high
I can touch the sky
I’m so high
I’m so high
I won’t break your heart
sábado, 12 de Setembro de 2009
domingo, 6 de Setembro de 2009
quinta-feira, 3 de Setembro de 2009
Livro dos Saberes (I)
quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Herald
the heart of this
Would you submerge
at its crudity
If you reveal
the word that heals
We'd still emerge
from the din of angst
You won't heal it
You won't heal it
(I know that I would)
You won't heal it
(I know that I should)
You won't heal it
(I know that you need)
You won't heal it
(It's not like you'd die)
You won't heal it
(You should trust me instead)
You won't heal it
(I'll have it on time)
You won't heal it
(Just open your eyes)
segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
A verdadeira Vida
sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
Perseu
sábado, 22 de Agosto de 2009
Mário Feliciano
Ao Mário Feliciano
Altos foram os ritos,
distribuindo a perda e a loucura
pelas horas de assombração.
Alta foi a miragem,
as lunações de deus,
o horto onde amadurecem
as rosa brancas
que a tua mãe plantou
antes de partires.
Tu soubeste tão depressa como só o efémero
se inscreve nessa ordem superior
dos veios da terra e dos punhais.
Alta é esta terra de blasfémia
e prolongada espera.
Assim o teu talento,
brumoso e crepuscular.
Tu sabes como são aqui os dias de chuva –
o vento pelos eucaliptos,
a barragem dilatada,
a vala,
os campos à mercê
da melancolia e da solidão.
Tu sabes que cruéis foram os ritos,
altos e cruéis.
Cruéis foram as miragens,
as lunações de deus,
os seus oráculos,
o horto que a tua mãe ainda trata,
cortando-se nos espinhos,
para que ao menos a tua ausência não doa
onde se cravam.
Há muito tempo que queria fazer esta homenagem ao meu conterrâneo Mário Feliciano, encenador que revigorou o teatro português no final da década de 70 e que morreu como aqueles que os deuses amam. Nunca tive a sorte de o conhecer, mas a sua mãe concedeu-me involuntariamente a oportunidade de assistir a uma das cenas mais enternecedoras e ao mesmo tempo lúcidas e desesperantes entre as poucas epifanias que uma vida permite. 3 anos de gaveta, este poema vê hoje a luz do dia em substituição do abraço que já não lhe vou poder dar ao voltarmos as costas a esta terra ingrata.
sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Cosmogonias

Apud. Paglia, Camille, Personas Sexuais, Relógio D'Água
quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
Edwin Austin Abbey [1852 - 1911]
domingo, 16 de Agosto de 2009
Então uma palavra perde-se e funda a descontinuidade. O poema não suporta o desarranjo. O equilíbrio não se encontra na proporção de coisa alguma: é imperativo ser-se extremo.
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
segunda-feira, 27 de Julho de 2009
terça-feira, 21 de Julho de 2009
O vento soprado como sangue (II)
[O livro já existe fisicamente e pode ser encomendado através do site da editora (isento de pagamento de portes de envio para o território português). A todo o momento começa a chegar às livrarias. Haverá uma apresentação em Alpiarça em Setembro.]XVI
De cada vez que um de nós morre
há uma faca apontada às jugulares:
o silêncio como mantimento.
A morte equilibra-se em nossos corações
com o deslumbramento.
Há-de haver um corpo que transite de alma em alma
e em cujos olhos se alumie a força brutal da mesma vida.
Há-de haver uma voz desvairada que se derrame como napalm
sobre a noite que nos envolve.
Por agora não sei como tocar a distância de onde nos falam.
Excerto do posfácio de O vento soprado como sangue, por valter hugo mãe:















