domingo, 16 de janeiro de 2011

Caravaggio, O sacrifício de Isaac, 1596.


Senhor, bem vejo que favoreces o teu servo; a tua benevolência é o sinal da tua inesgotável misericórdia. Por esta exoneração, a minha boca abrir-se-á em teu louvor até ao fim dos tempos, e sempre meu coração arderá no fogo sagrado da gratidão. Mas não penses que retrocedo. Esse carneiro não é digno de ti, nem eu sou tão torpe que aceite de bom grado a troca injusta que me concedes. Pois este animal não dá a justa medida do amor que tenho por ti, Senhor, nem eu me perdoaria tão pouca coragem na hora de te agradar. Porque tu és o Deus de todas as nossas tristezas e de todas as nossa alegrias. Faça-se pois a tua vontade, e que Isaac me perdoe.

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