terça-feira, 21 de julho de 2009

O vento soprado como sangue (II)

[O livro já existe fisicamente e pode ser encomendado através do site da editora (isento de pagamento de portes de envio para o território português). Haverá uma apresentação em Alpiarça em Setembro.]


XVI

De cada vez que um de nós morre
há uma faca apontada às jugulares:
o silêncio como mantimento.

A morte equilibra-se em nossos corações
com o deslumbramento.

Há-de haver um corpo que transite de alma em alma
e em cujos olhos se alumie a força brutal da mesma vida.
Há-de haver uma voz desvairada que se derrame como napalm
sobre a noite que nos envolve.

Por agora não sei como tocar a distância de onde nos falam.



Excerto do posfácio de O vento soprado como sangue, por valter hugo mãe:


"Há homens que precisam de castigar o mundo. Qualquer coisa no seu espírito obriga a uma insatisfação maior que propende para o violento, porque violentas acabam por ser as coisas fundamentais da vida. (...) Aqui não está em causa o que se tem por seguro, aqui tudo se passa como uma evocação espiritual que advém de uma percepção subjectiva e impressionada com o facto de se estar vivo. A estupefacção de se estar vivo é uma contínua explosão de sentidos, reclamando um entendimento quase delirante de cada assunto, de cada ínfima parte do que compõe o mundo. Esta profusão, aliada à avidez própria do indivíduo insatisfeito, resulta numa poesia de efeito quase caleidoscópico, em que as coisas podem ser reditas com variações fundamentais, adquirindo sentidos outros que, juntos, atingem uma permissividade quase louca de conceber a realidade."

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