sábado, 5 de dezembro de 2020

Conselhos a um jovem poeta

Escreve-te. Não com sangue — pobre louco efeminado, que exaltava a saúde para se compensar de a não ter (não se tivesse tornado exangue!) —, mas no sangue. Faz-te. Molda à martelada o formato do teu crânio, remove com a picareta as nuvens dos teus sonhos, extrai com o estilete a necrose dos sentimentos, sufoca na garganta o gorgolejo do teu canto. E, sobretudo, não esperes a revelação — o outro descobriu-se poeta, mas — hélas — não passava de uma criança!

Sem comentários: