terça-feira, 27 de agosto de 2013

Claudio Rodríguez (IV)

Elevada Jorna

Ditoso aquele que um belo dia sai humilde
e vai pelas ruas, como em tantos outros
dias da sua vida, e nada espera
e, de repente, que é isto?, olha para cima
e vê, atenta no mundo e escuta,
anda, e sente subir-lhe pelos passos
o amor da terra, e prossegue, e abre
a sua oficina verdadeira, e nas suas mãos
brilha limpo o seu ofício, e no-lo entrega
de coração porque ama, e tremendo entrega-se
ao trabalho como criança que comunga
mas sem caber no seu corpo, e quando
se apercebe por fim de como tudo
foi simples, já com a jorna ganha,
regressa alegre a sua casa e sente que alguém
segura a aldraba da sua porta, e não é em vão.

Claudio Rodríguez, Conjuros

- trad. minha

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