quarta-feira, 1 de maio de 2013

Leonard Cohen (I)

Avalanche

I stepped into an avalanche;
It covered up my soul.
When I am not this hunchback that you see,
I sleep beneath the golden hill.
You who wish to conquer pain,
You must learn, learn to serve me well.

You strike my side by accident
As you go down for your gold.
The cripple here that you clothe and feed
Is neither starved nor cold;
He does not ask for your company,
Not at the centre, the centre of the world.

When I am on a pedestal,
You did not raise me there.
Your laws do not compel me
To kneel grotesque and bare.
I myself am the pedestal
For this ugly hump at which you stare.

You who wish to conquer pain,
You must learn what makes me kind;
The crumbs of love that you offer me,
They're the crumbs I've left behind.
Your pain is no credential here,
It's just the shadow, shadow of my wound.

I have begun to long for you,
I who have no greed.
I have begun to ask for you,
I who have no need.
You say you've gone away from me,
But I can feel you when you breathe.

Do not dress in those rags for me,
I know you are not poor.
Don't love me quite so fiercely, now,
When you know that you are not sure.
It is your turn, beloved,
It is your flesh that I wear.


*

Avalanche


Entrei na avalanche,
Ela cobriu a minha alma.
Quando não sou este corcunda que vês,
Durmo sob a colina dourada.
Tu que queres conquistar a dor,
Deves aprender a servir-me bem.

Acertas-me sem querer
Enquanto buscas o teu ouro.
Aqui o aleijado que vestes e alimentas
Não tem frio nem fome;
Ele não implora a tua companhia,
Não no centro do universo.

Quando estiver num pedestal,
Não terás sido tu a pôr-me lá.
As tuas leis não me forçam
A ajoelhar grotesco e nu.
Eu mesmo sou o pedestal
Desta corcunda que vês.

Tu que desejas conquistar a dor,
Deves descobrir o que me pacifica;
As migalhas de amor que me ofereces,
São as migalhas que abandono no caminho.
Aqui a tua dor não é credencial,
Mas apenas a sombra da minha ferida.

Comecei a desejar-te,
Eu que não conheço a cobiça.
Comecei a clamar por ti,
Eu que não conheço a necessidade.
Dizes que me abandonaste,
Mas eu sinto-te quando respiras.

Não vistas esses trapos para mim,
Eu sei que não és pobre.
Não me ames tão avidamente
Agora que já não tens a certeza.
É a tua vez, amor,
É a tua carne que visto.


Leonard Cohen
- trad. minha

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