segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Tomas Tranströmer (I)

STROPHE AND COUNTER-STROPHE

The outermost circle belongs to myth. There sinks the helmsman upright
among glittering fish-backs.
How far from us! When day
stands in a sultry windless unrest –
as the Congo's green shadow holds
the blue men in its vapor –
when all of this driftwood on the heart's sluggish
coiling current
piles up.

Sudden change: in under the repose of constellations
the tethered ones glide.
Stern high, in a hopeless
position, the hull of a dream, black
against the coastline’s pink. Abandoned
the year’s plunge, quick
and soundless – as the sledge-shadow, doglike, big –
travels over snow,
reaches the wood.

ESTROFE E CONTRA-ESTROFE

O círculo mais afastado pertence ao mito. Nele se afunda a prumo
o timoneiro sobre dorsos de peixes reluzindo.
Quão distante de nós! Quando o dia
sufoca em perturbada quietação –
como os homens infelizes são reféns do vapor
da sombra glauca do Congo –
quando todos estes escombros se acumulam na corrente
emaranhada e indolente
do coração.

Súbita mudança: debaixo da placidez das constelações
deslizam os agrilhoados.
A popa eminente como uma condenação,
o casco sombrio de um sonho
contra a palidez da costa. Desamparado
declina o ano, rápida
e silenciosamente – como a sombra de um trenó, grande e canina –
viaja pela neve,
alcança o bosque.

Tomas Tranströmer
- trad. minha (a partir da versão inglesa de Robin Fulton)

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