segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Arthur Rimbaud (IV)

Les Poètes de sept ans

À M. P. Demeny

Et la Mère, fermant le livre du devoir,
S’en allait satisfaite et très fière, sans voir,
Dans les yeux bleus et sous le front plein d’éminences,
L’âme de son enfant livrée aux répugnances.

Tout le jour il suait d’obéissance; très
Intelligent; pourtant des tics noirs, quelques traits
Semblaient prouver en lui d’âcres hypocrisies.
Dans l’ombre des couloirs aux tentures moisies,
En passant il tirait la langue, les deux poings
À l’aine, et dans ses yeux fermés voyait des points.
Une porte s’ouvrait sur le soir : à la lampe,
On le voyait, là-haut, qui râlait sur la rampe,
Sous un golfe de jour pendant du toit. L’été
Surtout, vaincu, stupide, il était entêté
À se renfermer dans la fraîcheur des latrines:
Il pensait là, tranquille et livrant ses narines.

Quand, lavé des odeurs du jour, le jardinet
Derrière la maison, en hiver, s’illunait,
Gisant au pied d’un mur, enterré dans la marne
Et pour des visions écrasant son œil darne,
Il écoutait grouiller les galeux espaliers.
Pitié ! Ces enfants seuls étaient ses familiers
Qui, chétifs, fronts nus, œil déteignant sur la joue,
Cachant de maigres doigts jaunes et noirs de boue
Sous des habits puant la foire et tout vieillots,
Conversaient avec la douceur des idiots!
Et si, l’ayant surpris à des pitiés immondes,
Sa mère s’effrayait ; les tendresses, profondes,
De l’enfant se jetaient sur cet étonnement.
C’était bon. Elle avait le bleu regard, — qui ment!

À sept ans, il faisait des romans, sur la vie
Du grand désert, où luit la Liberté ravie,
Forêts, soleils, rives, savanes! — Il s’aidait
De journaux illustrés où, rouge, il regardait
Des Espagnoles rire et des Italiennes.
Quand venait, l’œil brun, folle, en robes d’indiennes,
— Huit ans, — la fille des ouvriers d’à côté,
La petite brutale, et qu’elle avait sauté,
Dans un coin, sur son dos, en secouant ses tresses,
Et qu’il était sous elle, il lui mordait les fesses,
Car elle ne portait jamais de pantalons;
— Et, par elle meurtri des poings et des talons,
Remportait les saveurs de sa peau dans sa chambre.

Il craignait les blafards dimanches de décembre,
Où, pommadé, sur un guéridon d’acajou,
Il lisait une Bible à la tranche vert-chou;
Des rêves l’oppressaient chaque nuit dans l’alcôve.
Il n’aimait pas Dieu ; mais les hommes, qu’au soir fauve,
Noirs, en blouse, il voyait rentrer dans le faubourg
Où les crieurs, en trois roulements de tambour,
Font autour des édits rire et gronder les foules.
— Il rêvait la prairie amoureuse, où des houles
Lumineuses, parfums sains, pubescences d’or,
Font leur remuement calme et prennent leur essor!

Et comme il savourait surtout les sombres choses,
Quand, dans la chambre nue aux persiennes closes,
Haute et bleue, âcrement prise d’humidité,
Il lisait son roman sans cesse médité,
Plein de lourds ciels ocreux et de forêts noyées,
De fleurs de chair aux bois sidérals déployées,
Vertige, écroulements, déroutes et pitié!
— Tandis que se faisait la rumeur du quartier,
En bas, — seul, et couché sur des pièces de toile
Écrue, et pressentant violemment la voile!

Arthur Rimbaud, 26 mai 1871

*

Os poetas aos sete anos

E a mãe, fechando o livro do dever,
Retirou-se satisfeita e orgulhosa sem reparar
Que nos olhos azuis e sob o rosto crivado de saliências,
A alma do seu filho estava cheia de repugnâncias.

Todos os dias ele suava de obediência, todo
Inteligente; ainda que fosse de hábitos sórdidos,
Alguns traços provavam que tinha hipocrisias acerbas.
À sombra dos corredores de cortinas baças,
Punha a língua de fora, os punhos nas virilhas,
E com os olhos fechados via as fulgurações.
Uma porta abriu-se na noite: à luz do candeeiro
Era avistado além, ofegando no corrimão,
Sob um golfo de dia suspenso do tecto. No Verão
Principalmente, derrotado e estúpido, insistia
Em encerrar-se na frescura das latrinas:
Tranquilamente cogitava e aliviava as narinas.

Quando no Inverno, limpo dos odores do dia,
O pátio atrás da casa era inundado pela lua,
Reclinado num muro, enterrado no barro
E com os olhos negros por causa das visões,
Ele ouvia levedar as trepadeiras sarnentas.
Piedade! A sua única família eram essas crianças
Banais e desamparadas, olhos perdidos no rosto,
Que, com os dedos amarelados de lama escondidos
Sob as roupas antiquadas e a cheirar a merda,
Falavam com a doçura dos idiotas!
E se a mãe se assustava ao apanhá-lo entregue
A compaixões imundas; as ternuras profundas
Da criança redimiam-na daquela surpresa.
Essa é que é essa. Ele fazia aquele olhar, – levava-a bem!

Aos sete anos inventava histórias sobre a vida
No grande deserto, onde resplandecia a liberdade violada,
Florestas, sóis, rios, savanas! – Para tal valia-se
De revistas ilustradas nas quais Espanholas
E Italianas sorridentes o embaraçavam.
Então vinha a filha dos operários vizinhos,
Com os seus olhos castanhos e vestes Indianas,
– oito anos, – a pequena bruta,
E agitando as tranças surpreendia-o num canto
Saltando-lhe para as costas, e ele, ao ver-se
Debaixo dela, mordia-lhe as nádegas
Pois ela nunca usava calcinhas;
– E porque ela o magoava com os punhos e os calcanhares,
Ele trazia para o quarto o cheiro da sua pele.

Temia os tristes domingos de Dezembro,
Quando, penteadinho, sentado numa mesa de mogno,
Lia uma bíblia com as margens de cor verde-repolho;
Os sonhos oprimiam-no todas as noites na alcova.
Não gostava de Deus; só dos homens negros e em camisa
Que na noite fulva regressavam aos subúrbios
Onde os vendedores ambulantes, com três rufos de tambor,
Faziam a multidão rir e gozar com os éditos.
– Sonhava com estepes de amor, onde luzes ondulantes,
Perfumes salubres e tumescências de ouro
Se iam meneando devagar e levantando voo.

E como ele saboreava especialmente as coisas sombrias,
Quando, na sala vazia, ampla e azul,
De persianas fechadas e sujeita à humidade,
Ele lia o seu romance continuamente meditado,
Cheio de céus ocres e de florestas inundadas,
De flores de carne implantadas nas madeiras siderais,
Vertigens, colapsos, derrotas e compaixão!
– Enquanto em baixo crescia o rumor no subúrbio,
– Deitado sozinho sobre pano-cru,
Ele pressentia com violência a partida iminente.

Arthur Rimbaud, 26 de Maio 1871
- tradução minha

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