sábado, 30 de julho de 2011

Arthur Rimbaud (III)

Ma Bohème

Je m'en allais, les poings dans mes poches crevées;
Mon paletot aussi devenait idéal;
J'allais sous le ciel, Muse ! et j'étais ton féal;
Oh! là là! que d'amours splendides j'ai rêvées!

Mon unique culotte avait un large trou.
- Petit-Poucet rêveur, j'égrenais dans ma course
Des rimes. Mon auberge était à la Grande Ourse.
- Mes étoiles au ciel avaient un doux frou-frou

Et je les écoutais, assis au bord des routes,
Ces bons soirs de septembre où je sentais des gouttes
De rosée à mon front, comme un vin de vigueur ;

Où, rimant au milieu des ombres fantastiques,
Comme des lyres, je tirais les élastiques
De mes souliers blessés, un pied près de mon coeur!

Arthur Rimbaud

*

A Minha Boémia

Assim ia eu, com os punhos nos bolsos rotos;
E com o meu casaco apenas idealizado;
Tendo por abrigo o céu, Musa!, e a ti sempre fiel;
Ah, quantos grandes amores sonhei.

As minhas únicas calças estavam esburacadas.
- Pulegarzinho sonhador, pelos caminhos arrancava
as minhas rimas. O meu albergue era o Ursa Maior.
- As minhas estrelas faziam no céu um suave frufru

E eu escutava-as, sentado à beira dos caminhos,
Nessas belas noites de Setembro em que sentia as gotas
Do orvalho na minha face, como um vinho retemperante;

Quando, rimando no meio de sombras fantásticas,
Como as cordas de uma lira, eu puxava os atacadores
dos meus sapatos feridos, um pé mais próximo do coração!

Arthur Rimbaud
- tradução minha

Sem comentários: