sexta-feira, 20 de maio de 2011

XVI

O cântico-livor embrutece,
sobe do fundo desvitalizado,
prepara as sevícias:
só a cegueira desnuda.
Ainda aqui estou para dizer que o taumaturgo opera
nas estrias do pneuma com o seu estilete.
Vê-lo é segurar o punhal embotado da beleza.
Ainda aqui estou para dizer que o cântico-livor se levanta
implacável de tudo isto,
mergulha e emerge de toda a destruição,
estende ainda alto e longe e espaçosamente e internamente e
cristãmente e merdosamente a
flor-de-lis.


de Miasmas, Cosmorama, 2010.

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