sexta-feira, 20 de maio de 2011

VII

Esta violação é da ordem das catedrais:
pura opacidade.
Aqui o altar é um coágulo.
Para que se decifre na treva a directriz das execuções,
para que a hóstia abra no estômago uma úlcera
de vertigem.
Aqui exumam-se crimes.
Ainda fui a tempo de ver o sangue secar
sobre as tuas chagas:
agora a minha sede é deletéria.
Se abjuro torno-me discernível.
Se professo sou o elo de uma pavorosa dissonância.
Esta é a écfrase da reencarnação:
a coroa destila a sífilis
e a cruz é uma ramificação nas veias.


de Miasmas, Cosmorama, 2010.

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